March 2010
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As noites, quando ninguém atenta,
são assaltadas por espíritos danados do passado
e violadas com a fautriz arte dos elixires
— há gentes de uniformes estranhos
que descem ao repouso dos dias já-servidos
brandindo sobre as idéias cicatrizadas
archotes de um fogo que incendeia sem esclarecer,
e entoando em nênias obscuras
equações que homem algum tem a veia de compreender.
A neblina espessa das horas vacila
no cântico subterrâneo das catacumbas
violadas pela ciência das janelas
e pelo lacrimejar de gordura fermentada
na palma seca e fibrosa dessa oração.
O útero estéril da sepultura
ao redor se avulta como um altar de igreja
— ou como um berço nupcial!
Envolta instilado de sensações macias
a cada corpo abraça com paciência amásia
deitando em seu colo fértil de loba
os lábios aflitos de versos doentes
— aliviando como faria uma mãe
a virgindade do filho enfermo no próprio ventre!
* * *
Eu agora sou irmão e amante de um sem-fim de deuses bastardos
e cultivo, no parapeito dos olhos, esperanças de um feriado
em que eu possa escapar dessa rotina.
Esses símbolos grafitados no assoalho
são apólogos entre os caminhos das estrelas mortas
recitando fórmulas para retorná-las ao brilho
(e feitiçaria é essa brincadeira de reorquestrar os astros)
mas — e de que adianta?,
se um mero sorriso teu, Musa,
reparte de alto a baixo todo o universo?
(Mais um da série #meusquinzeanos, quando a gente ainda EXORTAVA A POESIA e achava que o Mal andava à espreita.)
Tudo é tombo nessa nossa vida:
gente estabanada, ou distraída
não devia nunca andar sozinha,
mas ter sempre à mão um amigo
com quem, não importa o perigo,
de tropeço em tropeço, caminha.
(pra celebrar a data)
The Museum of the Phantom City, an iPhone application that allows inhabitants and visitors of New York City to consider the sites of never realized speculative architectural proposals. Geoff Manaugh nailed the uncanny quality of this app when he discussed it last fall: “You walk past a certain corner on the Upper West Side and your iPhone starts to ring: you’re being called by a missing building… Absent structures detected in a wireless blur…” We’ve always used maps as historical records but what are the implications of carrying around archives of unrealized futures on our mobile devices?
(via serial consign)
faz primavera no meu hemisfério
(sou um como as feras
de alma de estopa)
o deserto é imenso e fotos-
sensível; as sombras
desabam e ficam
por lá, num caminho de
areias que não são
negras mas (as sombras
demoram e) é como se
fossem
sulco as ruas como um
cabeçote; não são elas que cantam
nem eu
’[…] games even outside the mainstream have a language which is intended not to communicate but to establish boundaries, to determine whether the listener is in on the joke. stop saying “EPIC.” stop saying “WIN.” stop saying “FAIL.”’
dançar contigo valsa
à luz de um luar obscuro
um luar de taruiras
uma valsa sem nós
chegar morto ao estrangeiro
na barriga de um touro
alegórico.
Vim cingido de cordas, azul-
celofane
– quem sou eu entre os touros
nessa foto embaçada?
recebo a herança das aves
aquáticas: quando ando
entre homens, farfalho